segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Todo mundo tem um lobo por dentro



Nada mais verdadeira do que a frase de “Petulante” de Oswaldo Montenego. "Todo mundo tem um lobo por dentro". O animal, a fera a qual tentamos controlar. Deixamos ele quietinho, muito bem acalentado dentro de nós. Horas ele fica lá, confortável, cheio de espaço em nosso enorme coração generoso. Em outros momentos terríveis, ele fica apertado, quase sem ar, querendo uivar e ferir, mas ainda consegue sobreviver em ambientes inóspitos. E só consegue porque conversamos baixinho, dizendo que está tudo bem ou que não é o momento. Controle-se, por favor! Não nos fará bem ferir as pessoas. Repetimos e repetimos como se fosse uma canção de ninar. Acalme-se. Não queremos machucar ninguém. Principalmente as pessoas que amamos. Temos que nos controlar. Não é certo.

E como é difícil esse exercício de controlar nosso lobo interno. Requer prática. Exige disciplina e acima de tudo, pede por abnegação. Sofrer internamente em detrimento ao que nos machuca. Esquecer, superar. É um exercício diário e repetitivo.

É um exercício falível. Um dia seu coração fica tão apertado e pequeno que quer começar a pulsar rápido. E cada vez mais rápido. Parece que vai explodir. Quer sair pela garganta. Suas mãos começam a tremer. E o lobo, preso lá dentro, sente-se sufocado, sem respirar. Sente-se aflito, precisa escapar. É por defesa. Um instinto. Sobreviver é a única coisa que enxerga. Ele quer sair e não há nada que o impeça.

E lá vai ele. Arrebenta as portas do coração e inebria sua mente. Sem pensar, típico de sua natureza, sai ferozmente em sua defesa. “E como fere e faz barulho um bicho que se machucou, destruindo com palavras quem o incomodou”. Não há o que o faça parar, pois ele não pensa. Em lapsos de sobriedade tentamos conversar. Cuidado, você está exagerando! Mas ele não te ouve. Está ocupado demais. Quer extravasar sua mágoa por todas as vezes em que o cativeiro o deixou desconfortável. Ele se sente forte, alimentado pela raiva contida por tanto tempo. Não importa de quem foi a culpa. Ele não sabe discernir. De novo, ele não pensa.

Depois acaba. Ele volta pra dentro, cheio de ferimentos de guerra. Você o trata como uma criança que brigou na escola. Diz para nunca mais fazer isso. Veja, agora todos ao redor estão sangrando, inclusive você. E não há nada a fazer, a não ser tratar as feridas. Será que elas cicatrizam?

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