segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Best Sellers?

Estou terminando de ler um livro comercial, daqueles que estão há anos na lista dos best sellers. Em geral, ser líder de vendas não é prerrogativa para ser bom. Confesso que tenho um certo preconceito em relação aos mais vendidos, pois não sei ao certo o que impulsiona a venda do número gigantesco de exemplares. Na verdade, imagino que seja uma combinação de fatores como - uma boa editora, um bom patrocinador, investimentos em publicidade, linguagem fácil, acessível e assuntos massificados ou polêmicos que incitam a curiosidade humana. O fato de estar em listas de revistas semanais também desperta a vontade de dar uma espiada. Foi o que aconteceu comigo.

Não vou me aventurar a fazer minha resenha crítica sobre o livro. Eu até faria, com prazer, mas isso seria muito entediante para meus ilustres seis leitores. Temo perdê-los. Além disso, penso que literatura é algo muito pessoal - o que é bom para mim pode ser péssimo para você e vice-versa.

Minha ansiedade é poder chegar na parte onde posso contar da minha dor de cotovelo. Inveja branca, como diz uma amiga. Antes preciso ambientá-los: o livro trata de uma história verídica, onde a autora passa por perrengues amorosos e se perde psicológica e espiritualmente. Então, a única solução que a atraiu foi sair por um ano, andando pelo mundo em busca de si mesma. Obviamente, não viveu de filantropia e brisa nesse período, visto que sua editora pagou adiantado pelo livro que ela poderia escrever com os relatos da sua busca interna.

Não quero pisotear na dor alheia e muito menos questionar os métodos de cura interna adotados. Não seria justo da minha parte - afinal, já dizia Caetano - “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Também não quero menosprezar o trabalho árduo do autor. Digamos que é puro despeito da minha parte. Mas vamos lá, o ponto é que fiquei aqui pensando com meus botões que, se eu estivesse com meu coração partido, vendo tudo em preto e branco e sem vínculos empregatícios e familiares - ou seja - na lama mesmo -  eu acharia um golpe de sorte da vida encontrar alguém que patrocinasse uma viagem de um ano pelo mundo com a única condição de eu contar minhas aventuras de forma escrita depois. Pensem - 365 dias fora da rotina, conhecendo pessoas, lugares, comidas, tradições e religiões diferentes - é história à beça. E boas histórias. As minhas seriam interessantíssimas, pois sou a distração em pessoa e sempre me envolvo em situações no mínimo - hilárias. Seria muito divertido. Fiquei bege de inveja só de imaginar.

Concluo que talvez seja esse o motivo de eu não gostar de livros comerciais. São encomendados, com roteiro pré-definido e pagos com antecedência. Perde-se a espontaneidade da literatura pela arte. Ofusca o brilho do artesanal, palavra após palavra e vira linguagem massificada. Assuntos previsíveis, enfeitados com seqüências ilógicas de figuras de linguagem em excesso. Não consigo imaginar meus autores favoritos escrevendo dessa forma.

Enfim, sou uma leitora à moda antiga.

É isso!

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