Chovia torrencialmente e eu tinha uma listinha de aproximadamente 100 tarefas para cumprir
Molhei muito e corri muito. Várias modalidades. Treino de explosão na corrida de curta distância (de um toldo de loja para outro), resistência (quando não havia lojas com toldo no quarteirão) e salto em distância (para vencer as enxurradas). Tudo isso sem equipamento adequado, obviamente. Eu calçava botas e vestia jeans.
Até pensei em comprar um guarda-chuva, uma capa ou uma sombrinha de oncinha (bem feminina), mas comprar essas coisas em dia de chuva é igual a comprar água no deserto – ou não tem, ou vale ouro. Lei da oferta e da procura. Capitalismo selvagem. O pessoal discorre bastante sobre isso nos dias atuais.
Eu particularmente odeio tomar chuva. Vejo várias fotos comerciais onde o pessoal toma chuva sorrindo, feliz da vida e com brilho nos olhos. Que coisa mais chata, gente! Pura propaganda enganosa. Você se molha toda e tem que seguir para o compromisso seguinte parecendo que saiu da máquina de lavar. Porque, vamos combinar, a gente nunca está andando na rua desprevenido, com pressa e pensa: Humm, bem que eu podia tomar uma banho de chuva agora, né? Ou então, você está quentinho dentro da sua casa, começa o temporal e você vai lá para fora para se molhar? Nunca vi isso. Por isso que eu sempre digo que ainda não vi de tudo nessa vida.
O importante é que entre ensopados e respingados salvaram-se todos. Agora vou encarar o restante do dia de trabalho, com as meias molhadas e a calça encharcada até os joelhos. E a vida continua.
Até mais!

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